Meu Cantinho

segunda-feira, novembro 23, 2009

Trabalhando com projetos

Trabalhar com projetos é uma forma de intensificar as aprendizagems dos nossos alunos, fazendo com que eles busquem soluções para seus questionamentos e cresçam em seus conhecimentos.
No trabalho por Projetos, há inúmeros aspectos positivos, dentre os quais podemos destacar a significação da aprendizagem dos alunos, onde os mesmos mobilizam-se e produzem o seu próprio conhecimento através de relações que vão construindo no desenrolar do trabalho, pois esta estrutura de trabalho dá lógica e sequência aos conteúdos; a interação entre as pessoas envolvidas no Projeto no processo de investigação; todos os temas podem ser abordados através de projetos. Porém essa “modalidade de articulação dos conhecimentos escolares” apresenta ao professorado desafios, tais como a falta de conhecimento do que realmente seja um trabalho por projetos, fazendo com que o trabalho a partir dele seja “simplesmente uma nova organização externa, um nome novo com o qual se denomina uma atitude profissional rotineiro diante das relações de ensino e aprendizagem”

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domingo, novembro 08, 2009

Filme Menino Selvagem

O filme “O Menino Selvagem” relata a história de um menino de aproximadamente 12 anos, que foi abandonado na selva por seus pais, quando tinha aproximadamente 4 anos. Como cresceu e viveu, muitos anos na floresta, adquiriu assim hábitos selvagens. Ele caminhava utilizando os pés e as mãos, não falava, emitia grunidos, coçava a cabeça e o corpo como os animais, etc.
Certo dia foi encontrado por uma camponesa que o levou para casa,onde foi motivo de curiosidade das pessoas. Logo foi levado para a cidade em uma escola para surdo-mudo, continuando sendo alvo de gozações e piadas, sofrendo discriminação de crianças e adultos. Todos queriam conhecer o menino selvagem, um animal em forma humana, uma pessoa considerada doente, anormal.
Quando o caso chega aos ouvidos do professor Itard, este acredita que pode tratar o menino, determinando o grau de inteligência, já que este viveu muitos anos longe da civilização, ou seja afastado do convívio social, do convívio com seres humanos, da sua espécie.
Como era maltratado na escola de surdo-mudo, pelas crianças e explorado pelos guardas, os professores Itard e Pinel decidiram retira-lo da instituição, porque para Pinel, Victor, como foi chamado, não passava de um idiota, como as pessoas diferentes, com alguma deficiência, eram chamadas naquela época. Pinel sugeriu que o menino fosse levado para uma instituição que tratasse de deficientes mentais.
Já Itard acreditava que o menino não era idiota, apenas uma criança que não teve a mesma sorte de outras pessoas, foi abandonada em uma floresta, sendo desprovido da convivência com pessoas, ditas normais, adquirindo assim hábitos selvagens. Acreditava que Victor pudesse ser educado, “domenticado”, ou seja que tinha condições de aprender a falar, andar e agir como uma pessoa normal.
Ao chegar em sua casa, Itard conta com a ajuda de sua governanta que trata o garoto com carinho e ternura. Nesse momento começa o grande desafio para o professor Itard, o processo de aprendizagem do garoto Victor. Itard insistia para que Victor repetisse as palavras, letras e frases. Mostrava um copo de leite e o fazia repetir. Analisando esta cena, onde o menino era obrigado a repetir certas palavras, sem o uso de sinais, comparo com os textos lidos, onde surdos ao longo de sua história, tinham dificuldades em se comunicar com as pessoas, pois estas acreditavam na comunicação através da fala, e não pensavam em sinais e gestos. Lembro aqui do filme “Seu nome é Jonas” onde Jonas também encontrou muita dificuldade e preconceito das pessoas, onde não o entendiam. Até o momento que ele e sua mãe começaram a aprender a língua de sinais e passaram a se comunicar tranqüilamente com outras pessoas.
Podemos dizer que atualmente as pessoas surdas são mais respeitadas, possuem os mesmos direitos das pessoas ouvintes, o que não acontecia na Idade Média,onde os surdos eram proibidos de receber herança, de votar e até de receber comunhão. Hoje em dia ainda encontramos, infelizmente, preconceito com pessoas com alguma deficiência.
Voltando ao filme, Itard usava métodos muito rígidos em relação aos dias de hoje, talvez eficaz para aquela época, mas para os dias de hoje não. Perdia a paciência freqüentemente com o menino, quando este errava algo,trancando-o em um quarto escuro, não levando em consideração seu convívio anterior, sua vivência. Queria a qualquer modo educa-lo e traze-lo ao convivo social. Itard obteve muitos progressos, pois não desistiu de seu objetivo e conseguiu por exemplo que o menino andasse como uma pessoa normal, balbuciasse algumas palavras, demonstrando seu desenvolvimento moral e intelectual.
Itard acreditou que poderia ajudar o menino e com muita luta, esforço e perseverança conseguiu que o garoto tivesse seus progressos e convivesse em uma sociedade, que na época não aceitava pessoas diferentes, com algum tipo de deficiência.

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segunda-feira, novembro 02, 2009

Analisando o texto da Marta Kohl

Após leitura realizada do texto "Jovens e dultos com sujeitos de conhecimento e aprendizagem", de Marta Kohl a Educação de Jovens e Adultos (EJA), na minha opinião, caracteriza-se como uma proposta pedagógica flexível que considera as diferenças individuais e os conhecimentos informais dos alunos, adquiridos a partir das vivências diárias e no mundo do trabalho. É uma modalidade diferente do ensino regular em sua estrutura, enquanto a sua metodologia, duração e própria estrutura.
O indivíduo adulto, já traz a sua experiência de vida e dessa forma há uma mudança daquilo que vai ser ensinado, para torná-lo significativo e atrativo para que o mesmo continue em sala de aula.
O adulto para EJA, não é aquele sujeito concursado, nem um estudante universitário, o qual está à procura de aperfeiçoar profissionalmente seus conhecimentos, muito menos aquele com uma escolaridade regular. São geralmente homens e mulheres desempregados, trabalhadores em busca de uma melhor condição de vida, uma boa moradia e que lutam para superar suas condições precárias, no qual estão nas raízes do analfabetismo.
Sabe-se que jovens e adultos são basicamente não-crianças, os quais devem ser tratados sem desprezo, até porque os mesmos já trazem consigo uma história de vida não muito boa.
O professor deve estar preparado para trabalhar com cada tipo de vida inserida na sala de aula. Além de uma boa interação professor-aluno, a qual vai contribuir no processo ensino-aprendizado para o próprio crescimento do educando e do educador em proporcionar meios que venham ajudar no desenvolvimento do aluno no meio escolar.
Talvez esta seja uma das maiores dificuldades encontradas pelos professores, pois precisam desenvolver novas ferramentas de ensino a todo momento tornando-os mais atrativos. Como convencer uma pessoa que acorda muito cedo, trabalha oito horas por dia, muitas vezes em uma função insalubre, dificuldade de locomoção a permanecer em sala de aula e acreditar que isso melhorará sua vida?
Formar alunos que possuem uma trajetória normal de ensino é muito diferente do aluno que por motivos sociais, culturais e econômicos, foram excluídos da sala de aula durante muito tempo. Porém, trazem consigo, uma bagagem de informações que muitas vezes acabam facilitando o aprendizado pois interagem melhor com o professor dando exemplos de vida.
Acredito que o pensamento do jovem adulto esteja focado na dificuldade de desenvolvimento de sua vida presente e a vontade de melhorar sua condição social, buscando uma alternativa de um futuro melhor para si e para sua família, melhorando sua linguagem e imagem perante a sociedade.
Vejamos o trecho relatado por Marta Kohl: “...é importante mencionar ainda que a exclusão da escola coloca os alunos em situação de desconforto pessoal em razão de aspectos de natureza mais afetiva, mas que podem também influenciar a aprendizagem. Os alunos têm vergonha de freqüentar a escola depois de adultos e muitas vezes pensam que serão os únicos adultos em classes de crianças, sentindo-se por isso humilhados e tornando-se inseguros quanto a sua própria capacidade para aprender.” Eis mais um aspecto que deve ser levado em consideração quando se fala em EJA. A questão da empatia do professor com o aluno jovem nessas ocasiões deve ser tratada com muito carinho e importância pois trata-se de pessoas afetadas moralmente, não por seu desejo mas por uma imposição de vida. É um momento de resgate moral e pessoal desse aluno, tarefa dedicada claro ao educador.
Sendo assim, é função do EJA dar cobertura aos trabalhadores de uma classe social menos favorecida economicamente e politicamente . A reentrada no sistema educacional daqueles que tiveram uma interrupção forçada deve ser saudada como reparação corretiva, ainda que tardia, possibilitando aos indivíduos novas oportunidades no meio social, com uma vida digna de conhecimento escolar.


Referencial Teórico:

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, Set./Out./Nove./Dez.1999, n. 12, p.
59-73.

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